Mostrar mensagens com a etiqueta Philip Larkin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Philip Larkin. Mostrar todas as mensagens

domingo, 20 de janeiro de 2013

Seja assim o Poema


Lixam-te a vida, o papá e a mamã,
Mesmo que não seja essa a intenção.
Deixam-te todos os vícios que tenham
E mais dois ou três, por especial atenção.

Mas no tempo deles também foram lixados
Por tolos trajando jaquetão e coco.
Que quando não estavam piegas ou hirtos
Saltavam, raivosos, à veia, ao pescoço.

E assim é legada a infelicidade,
Vai mais e mais fundo, como o fundo do mar.
Foge mal tenhas oportunidade
E quanto a teres filhos – isso nem pensar.

Philip Larkin, Janelas Altas, 2004
tradução de Rui Carvalho Homem

Janelas Altas


Com que os velhos sonharam toda a vida –
Compromissos e gestos postos de lado
Que nem debulhadora fora de moda,
E toda a gente nova a descer pelo escorrega,


Interminavelmente, para a felicidade. Será
Ou medo do inferno, ou ter de esconder
Em vez de palavras, vêm-me à ideia janelas altas:

Que alguém olhou para mim há quarenta anos,
E pensou: Isso é que vai ser boa vida,
Nada de Deus ou de suores nocturnos,

Do padre aquilo em que se pensa. Ele
E a malta dele, c’um raio, hão-de ir todos pelo escorrega
Abaixo, livres que nem pássaros? E de imediato

O vidro que acolhe o sol, e mais além
O ar azul e profundo, que não revela
Nada e está em lado nenhum e não tem fim.

Philip Larkin, Janelas Altas, 2004
tradução de Rui Carvalho Homem