segunda-feira, 19 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
Se um Dia a Juventude Voltasse
se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida
sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor
depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projectos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo
mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só de te sonhar me morro de aflição
Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida
sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor
depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projectos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo
mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só de te sonhar me morro de aflição
Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Carta a Mário Cesariny no dia da sua morte
Hoje soube-se uma coisa extraordinária,
que morreste. Talvez já to tenham dito,
embora o caso verdadeiramente não
te diga respeito, e seja assunto nosso, vivo.
Algo, de facto, deve ter acontecido
porque nada acontece, a não ser o costume,
amor e estrume; quanto ao resto
tudo prossegue de acordo com o Plano.
Há apenas um buraco agora aqui,
não sei onde, uma espécie de
falta de alguma coisa insolente e amável,
de qualquer modo, aliás, altamente improvável.
Depois, de gato para baixo, mortos
(lembrei-me disto de repente
agora que voltaste malevolamente a ti)
estamos todos. A gente vê-se um dia destes por Aí.
Manuel António Pina
26/11/2006
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Biografia de Mário Cesariny
Mário Cesariny de Vasconcelos
nasceu a 9 de Agosto de 1923 em Lisboa. Estudou na Academia de Amadores de
Música e, na década de 40, entrou na Escola de Artes Decorativas António
Arroio. Em 1947, escreveu os poemas “Louvor” e “Simplificação de Álvaro de Campos”
e começou as suas primeiras aventuras no mundo das Artes Plásticas. Neste ano
frequentou a Academia La Grande Chaumière. Mário tornou-se um dos mais importantes
defensores do movimento surrealista francês e juntou-se ao Grupo Surrealista de
Lisboa. Participou, em 1949/50, nas I e II Exposições dos Surrealistas.
Publicou várias obras poéticas como por exemplo “Corpo Visível” (1950), “Um
Auto para Jerusalém” (1964), “As Mãos na Água a Cabeça no Mar” (1972) e a
obra de ficção Titânia (1994). Cesariny faleceu dia 26 de Novembro de 2006, em
Lisboa.
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